segunda-feira, 18 de novembro de 2013

SOU FILHA DE NEGRO E DESCENDENTE DE ZUMBI

Sim, sou filha de negro, descendente de Zumbi, moro na periferia e estou desempregada. Encontro-me nas esquinas das grandes capitais sem chance de viver e tentando sobreviver em meio à selva que me encontro.

Poderia ser só mais uma em meio à multidão se não fosse pelos anos de abandono e de sofrimento que me encontro, pergunto-me porque me libertaste meu senhor se não me deu condições de viver dignamente? Se me falta educação, saúde e moradia adequada? Se me perseguem por causa da minha cor?

Não, Não quero suas esmolas muitos menos suas migalhas. Sou negra, sou raça, sou forte, sou humana e tenho sonhos. Sonho de algum dia poder sair na rua sem ser olhada como marginal, entrar nos locais e não ser humilhado pela minha cor, pelo que visto ou pelo que aparento. Sonho com um dia que meu filho não sofrerá o mesmo que sofri em todos esses anos de liberdade altamente excludente.

Meus gritos de dores e tambores ecoam pela cidade, meu sangue jorra pelas ruas desta capital e quem olha por mim? Pelos meus anseios? Pelos meus desejos? Quem me defenderá das grandes garras do meu senhor tão opressor e violento?

Meu engenho ganhou ruas, está moderno, meu senhor está mais bem vestido, seu chicote agora é de ferro e meu tronco agora tem grades. Sou filha de Negro, descendente de Zumbi, meu nome é força e meu sobre é coragem. Sou filha de negro e descente de Zumbi, sou guerreira, sou homem, sou mulher e não nasci para ficar presa, meu sangue não serve para lavar as ruas desta capital. Sou filha de Negro e descendente de Zumbi e mereço respeito, mereço ser tratada como gente e não como mercadoria.